Monte Sinai ao amanhecer, com luz dourada sobre duas tábuas de pedra lisas e um pequeno povo no vale.

Os 10 Mandamentos Explicados

Os Dez Mandamentos são as palavras que Deus dirigiu a Israel no monte Sinai, narradas em Êxodo 20,1-17 e repetidas em Deuteronômio 5,6-21. Começam lembrando a libertação do Egito e orientam a relação com Deus e com o próximo. Judeus e cristãos os leem há séculos, com numeração diferente em algumas tradições.

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A história dos Dez Mandamentos no Sinai

Depois de sair do Egito, o povo de Israel chegou ao deserto do Sinai, no terceiro mês da caminhada (Êxodo 19,1). Ali Deus propôs uma aliança ao povo e, diante da montanha, pronunciou as palavras que a tradição chama de Decálogo. O texto principal está em Êxodo 20,1-17: “E falou Deus todas estas palavras, dizendo”.

Antes de qualquer ordem, vem uma apresentação: “Eu sou o SENHOR teu Deus, que te tirei da terra do Egito, de casa de servos” (Êxodo 20,2). Os mandamentos não abrem o caminho da liberdade: nascem dela. Um povo que acabou de sair da escravidão recebe orientações para permanecer livre e viver em aliança com Deus e com os outros.

Os versículos 3 a 11 tratam da relação com Deus. Pedem fidelidade exclusiva (“Não terás deuses alheios diante de mim”, 20,3), proíbem imagens para adoração, pedem respeito ao nome do SENHOR e mandam santificar o dia do repouso: “Tu te lembrarás do dia do repouso, para santificá-lo” (20,8). O motivo dado para o repouso é o descanso de Deus depois da criação (20,11).

Os versículos 12 a 17 tratam da vida com o próximo. Começam pela família: “Honra a teu pai e a tua mãe, para que teus dias se alarguem na terra que o SENHOR teu Deus te dá” (20,12). Seguem a proteção da vida (“Não cometerás homicídio”), do matrimônio, dos bens e da verdade no testemunho, e terminam com a proibição da cobiça.

Em Deuteronômio 5,6-21, Moisés repete o Decálogo à nova geração, nas planícies de Moabe, antes da entrada na terra prometida. O texto é muito próximo do de Êxodo, com pequenas diferenças. A mais conhecida está no repouso semanal: em Êxodo o motivo é a criação; em Deuteronômio 5,15 é a lembrança da escravidão no Egito e da libertação.

A Bíblia não numera os mandamentos, e as tradições os contam de modo diferente. Católicos e luteranos, seguindo Santo Agostinho, reúnem imagens e outros deuses num só mandamento e dividem a cobiça em dois (a mulher do próximo e as coisas alheias). Igrejas reformadas e muitas igrejas evangélicas tratam as imagens como segundo mandamento e a cobiça como um só. O texto bíblico é o mesmo.

Na catequese católica, o Decálogo costuma ser ensinado em fórmulas curtas: amar a Deus sobre todas as coisas; não tomar seu santo nome em vão; guardar domingos e festas; honrar pai e mãe; não matar; não pecar contra a castidade; não furtar; não levantar falso testemunho; não desejar a mulher do próximo; não cobiçar as coisas alheias. Jesus resumiu a Lei em dois mandamentos: amar a Deus e ao próximo (Mateus 22,37-40).

Como meditar os Dez Mandamentos

  1. Sente-se em silêncio, respire fundo três vezes e lembre que a lei de Deus começa com uma libertação (Êxodo 20,2).
  2. Leia devagar os versículos 3 a 11 de Êxodo 20, os mandamentos sobre a relação com Deus, e pergunte-se o que ocupa o primeiro lugar no seu dia.
  3. Leia os versículos 12 a 17 e escolha um único mandamento sobre o próximo para viver com atenção hoje ou amanhã.
  4. Agradeça a Deus por uma pessoa que você aprendeu a honrar, como um pai, uma mãe, um avô ou um mestre.
  5. Termine com Mateus 22,37-40, que resume a Lei no amor a Deus e ao próximo, e reze a oração desta página em voz baixa.

Oração

Senhor, meu Deus,
tu libertaste o teu povo da casa da escravidão
e lhe deste palavras de vida no monte Sinai.

Ensina-me a pôr-te em primeiro lugar,
a respeitar o teu nome e a guardar o teu dia de repouso.
Ajuda-me a honrar meu pai e minha mãe
e a respeitar a vida, a verdade e os bens do meu próximo.

Livra o meu coração da cobiça
e grava nele o amor a ti e ao próximo.
Por Jesus Cristo, teu Filho, nosso Senhor.
Amém.

Bíblia Livre (BLIVRE), versão 2025.1.0, © Diego Santos, Mario Sérgio e Marco Teles (sites.google.com/site/biblialivre). Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil (creativecommons.org/licenses/by/3.0/br).

Perguntas frequentes

Quem escreveu os Dez Mandamentos?

A Bíblia atribui a escrita a Deus e a Moisés em passagens diferentes. Êxodo 31,18 fala de tábuas escritas pelo dedo de Deus, e Êxodo 34,1 apresenta Deus como quem escreve nas segundas tábuas. Já Êxodo 34,28 diz que Moisés “escreveu em tábuas as palavras da aliança, os dez dizeres”. A tradição entende que a origem das palavras é divina.

Os Dez Mandamentos aparecem no Novo Testamento?

Sim, vários são citados por Jesus e pelos apóstolos. Em Mateus 19,18-19, Jesus lembra ao jovem rico os mandamentos sobre matar, adulterar, furtar, falso testemunho e honrar pai e mãe. Em Romanos 13,9, Paulo cita alguns deles e os resume em amar o próximo como a si mesmo. O Novo Testamento os lê à luz do amor.

Os mandamentos da Igreja são os mesmos Dez Mandamentos?

Não, são coisas diferentes. Os Dez Mandamentos vêm de Êxodo 20 e Deuteronômio 5. Os mandamentos da Igreja são cinco preceitos católicos que ajudam na vida cristã, como participar da missa aos domingos e festas, confessar-se ao menos uma vez por ano, comungar ao menos na Páscoa, jejuar nos dias determinados e ajudar a Igreja em suas necessidades.

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